23 Maio 2017

Santa Marta

Publicado em Poesias

Salve Santa Marta, irmã de Maria e de Lazáro

Protetora das donas-de-casa, das cozinheiras, das lavadeiras

e das irmãs de caridade

Vela por mim, tão voltada estou para as coisas terrenas,

Eu que como tu, criticada seria por Nosso Senhor:

“Vera, Vera, te preocupas e te agitas por muitas coisas:

Casa, dinheiro, trabalho e esqueces de olhar para dentro de ti!

Mas é muito trabalho Senhor!

 Limpar oque está dentro e o que esta fora

Produzir, criar, lutar, matar mil dragões por dia,

Não posso, como a folgada da Maria, sentar languidamente,

 ouvindo o Senhor.

Como te entendo operosa Marta, minha mente também não para,

esta sempre ocupada em mil tarefas para executar

Como uma máquina. Não posso falhar!

Ave Santa Marta! Tu que foste injustamente reprendida por Jesus!

Como o teu,  meu trabalho “quase” não aparece:

Ralo, corro, falo,  bato, grito

E ninguém me ouve – estou só –

Nesta jornada de incompreensões.

Tenho que fazer tudo sozinha, como Marta.

Também sou criticada minha Santa

por não parar para ouvir o Senhor.

Salve poderosa santa Marta!

Tua fé ressuscitou teu irmão Lázaro.

A minha, mal me dá forças, para andar neste mundo de trevas

tão esquecido dos ensinamentos de Jesus.

Salve Santa Marta!

Com o sinal da Cruz e algumas gotas de água benta

Derrotaste o dragão de Tarascon

Arrastando-o amarrado a teu cinto.

Por esta força te peço o poder

               de derrotar meus dragões

O dragão do medo, que me tolhe os passos

     Da ira que me rouba a prudência

     Da inveja que me torna feia, desvalorizando oque tenho,

e querendo o que não é meu.

O dragão da maldade, minha santa, que muitas vezes me habita

Da vingança, de querer atingir, quem me feriu.

Do ódio frente à injustiça e a opressão

São incontáveis dragões Santa Marta.

para vence-los, todos,

Empresta-me tua fé laboriosa santa!

A minha, há muito perdi!

E rios de água benta.

Aí talvez eu pare e brigar lá fora

E volte para dentro de mim.

 

 

 

23 Abril 2017

Triste Brasil

Publicado em Poesias

O País da corrupção

De onde vem esta sensação de desalento e de pesar

De pensar que nada aqui tem mais jeito

                 e que nunca terá.

Triste País onde os ladrões,  larápios, bandidos

travestidos de autoridades: de governadores

de deputados, senadores e até, pasmem, presidentes,

                 arrastaram, teu nome na lama

e desviaram - milhões, bilhões, incontáveis numerários -

do pobre, do órfão, da viúva,

de escolas , de leitos, de hospitais.

Aves de rapina!  Saquearam o país, diante,

de nossos olhos crédulos e distraídos.

 

Tristes tempos, de mensalões e mensalinhos

De petrolão, de petralhas e de coxinhas

A maioria defendendo interesses escusos, uma boquinha......

E nas redes sociais, muitos, - cegos, cúmplices ou ingênuos -

               Continuam, defendendo, o indefensável.

 

No jogo da corrupção, partidos ganharam nomes de times de futebol.

Os vestais da política de do governo, na lista da vergonha, agora exibida com escárnio

               em horário nobre de televisão

Recebem codinomes risíveis: Boca mole, todo feio, amante, angorá e amigo

Na criatividade do crime, nem nomes bíblicos escapam:

 Tem Caim sem ter Abel.

 

 

Todos eleitos com o dinheiro roubado, chamado de “caixa dois”

 Pastores, brandindo a bíblia,  jogadores de futebol, padres, sindicalistas, médicos e até um palhaço

No grande circo de horror chamado de Congresso Nacional.

 

E a democracia chora

Enquanto nas redes sociais, assistimos estúpidos debates:

“O meu ladrão é melhor que o seu”.

 

O dinheiro pelos céus do Brasil,  sendo  transportado em envelopes, caixas, pacotes

                      meias e cuecas, onde couber.

Para quem quiser, e estiver disposto a vender sua alma, e tirar uma lasquinha

                    da frondosa árvore Pau Brasil, desde o descobrimento, produto de exportação.

O pagamento de propina na Petrobrás; a compra de apoio parlamentar para projetos do governo, no mensalão; a  venda de empresas públicas, para amigos, na privatização; sucessivos escândalos, de sucessivos governos,  desfilam em nossa memória......

                   Sempre foi assim, dizem os delatores,  desde a ditadura militar.

Desde Cabral, com sua tripulação de degredados

Oferecendo espelhos aos índios em troca de ouro e pedras preciosas.

E nesta nossa herança genética, de bandidos e bandoleiros,

o mal escorre por nossas veias, como herança portuguesa,

                com certeza.

 

Tem para todo mundo, tudo fácil, ao alcance da mão,

Para pagar o jatinho do empresário, a viagem do ministro, as  festinhas regadas a charutos

e whisky importados

comandados, por Jeane Mary Corner, em rede de prostituição de luxo,

bancada pelo erário.

Depois cai tudo no esquecimento, até uma nova falcatrua, um novo escândalo

No País do faz de conta.......

Tem real, tem dólar, tem Euro

para o empreiteiro super faturar obras, para o político se eleger, para o Presidente

governar.

Para juiz vender sentença a bandidos ou engavetar processos de interesse de sócios

ou aliados

 O combate ao crime ganha nomes espetaculosos: Praga do Egito, Anaconda, Sanguessuga, Pandora, Midas, Break Down, Fênix.

 Operação Macunaíma, uma homenagem ao herói sem nenhum caráter,

com o qual Mário de Andrade apresenta o brasileiro comum.

E a maior de todas elas , a Lava Jato, com seus números grandiosos, delações premiadas,                  prisões espetaculares e vazamentos seletivos.

 E os grandes da república, desfilando cabisbaixos ou escondendo o rosto,

frente nossos olhares incrédulos

Mas depois de tudo, de entregar os comparsas, de detalhar, as sórdidas entranhas,

                            de  contas secretas aqui e em paraísos fiscais

De repatriar parte do  dinheiro desviado, do pobre, do órfão, da viúva.......

O delator  -dever cívico cumprido - pode finalmente descansar em mansões magnificas ou condomínios milionários,  com suas reluzentes tornozeleiras eletrônicas, como um troféu!

Porque prisão meu amigo, em nossos tristes e melancólico trópicos, ainda,   é coisa para “inglês ver” ou para “ladrão de galinhas”.

Triste Brasil!

 

 

 

 

18 Abril 2017

Engano

Publicado em Poesias

Agora sei, foi tudo ilusão!

Fiz leituras equivocadas,

e confusas

de sorrisos, com quereres

olhares distraídos,  com desejo

Ah carente alma louca

Que se encanta com migalhas

de um pouco de atenção.

Agora é recolher os destroços

e voltar para mim.

Revolver esse caldeirão de emoções

desenfreadas.

Consumir toda esta dor

até me curar de ti.

Quando te encontrar novamente

meus olhos  serão de adeus.

Seguirei,  assim,  solitária

Altiva

Eu mesma,

no rumo dos meus tristes passos.